No dia 15 de outubro, comemorado como o Dia dos Professores, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ressalta a relevância dos educadores na formação de milhões de alunos no Brasil. Dados do Censo Escolar da Educação Básica indicam que o número de professores no país aumentou de 2.187.154 em 2015 para 2.407.049 em 2025. Esse crescimento de cerca de 10% representa um acréscimo próximo a 220 mil docentes ao longo da última década.
A presença feminina é predominante entre os educadores da educação básica. Em 2025, foram contabilizadas 1.896.389 professoras, correspondendo a 78,8% do total, em comparação aos 1.751.189 registradas em 2015. O número de professores homens também cresceu, passando de 435.965 para 510.660 no mesmo período, com uma elevação de 17,1%.
Esses dados refletem a trajetória diversificada dos profissionais da educação. Em Salvador (BA), por exemplo, a professora Márcia Pereira Martins Vale viu na educação uma oportunidade para promover mudanças sociais. Com duas décadas dedicadas ao ensino e há 15 anos atuando na Escola Municipal Hospitalar e Domiciliar Irmã Dulce, ligada à Prefeitura de Salvador, ela se sente gratificada ao observar o aprendizado dos alunos.
“É maravilhoso poder promover e ver o outro aprender”, diz Márcia, que reconhece os desafios enfrentados por estudantes que precisam equilibrar estudos e tratamentos médicos. “Ao mesmo tempo, é desafiador nas condições que os alunos em estado de adoecimento se encontram”, completa.
Outra educadora com uma carreira sólida é Janaína Andrade Correia Fonseca, que leciona em Brasília (DF) há quase três décadas nos anos iniciais do ensino fundamental. Para Janaína, um dos maiores prazeres da profissão é testemunhar o progresso dos alunos na leitura e escrita.
“É gratificante perceber que os estudantes dominam o processo de escrita e leitura e estão prontos para enfrentar novos desafios ao final do ano letivo”, afirma ela, destacando a confiança adquirida pelos alunos ao longo do percurso.
Capacitação
A formação contínua dos educadores é um aspecto enfatizado por ambas as professoras. Para Márcia, investir na capacitação docente é crucial para expandir conhecimentos e aprimorar as metodologias educativas. Janaína também enfatiza a necessidade constante de atualização frente às inovações e desafios que surgem no campo educacional.
Dentro desse cenário, o Inep implementa avaliações voltadas para o aprimoramento da formação docente. Uma dessas iniciativas é a Prova Nacional Docente (PND), criada para auxiliar estados, municípios e o Distrito Federal nos processos seletivos para professores nas redes públicas.
A PND se fundamenta nas Diretrizes Curriculares Nacionais voltadas à formação inicial dos educadores da educação básica, além das normas pertinentes às áreas avaliadas.
Outra ação relevante é o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que analisa a formação dos universitários em cursos de licenciatura, levando em conta suas competências e habilidades aplicáveis à atuação na educação básica.
A professora Andreza Fabro de Bem, com 24 anos dedicados ao ensino e atualmente lecionando na Universidade de Brasília (UnB), também sublinha a importância da qualificação e valorização do corpo docente. “Para termos bons médicos, engenheiros ou jornalistas, precisamos primeiramente investir em bons professores”, observa ela.
Andreza acredita que avaliações como a PND e o Enade das Licenciaturas são fundamentais para identificar as demandas por aprimoramento nos cursos e orientar políticas públicas relacionadas à educação. “O mais relevante não é apenas utilizar esses instrumentos como filtros seletivos; é transformar os resultados em informações valiosas que ajudem a moldar políticas públicas e aperfeiçoar continuamente a formação docente”, afirma.
