Meus queridos, como é bom ir para uma cabine de imprensa sabendo o mínimo sobre o filme e sair completamente satisfeito! Se você gosta de obras baseadas em fatos históricos, com um elenco ótimo, e de ficar vidrado na tela até o final, vem comigo que não vai se arrepender. Se aconchega do lado daí, pega um cafezinho e bora falar sobre “Pressão” (Universal Pictures, 2026).
Basicamente, nesse filme, vamos acompanhar os acontecimentos que precederam o Dia D. Não, não tem nada a ver com o filme do Spielberg. Porém, são tantas camadas que pode até parecer confuso. E sabe o que é bom? No final, t-o-d-a-s as peças se encaixam, tudo isso em 1h40min de filme! Não que filmes longos sejam ruins. Mas, convenhamos, temos uma vasta lista de obras com as famosas “barriguinhas”. Ver uma obra coesa, que consegue ter uma minutagem justa: nossa, muito bom!
Como mencionei, nossa base narrativa é o Dia D, que foi a maior operação anfíbia e marítima da história militar, em 6 de junho de 1944. Se você não tem uma bagagem sobre o que foi esse momento na história, não se preocupe: o filme vai te ambientar de uma forma que até quem não faz ideia do que foi esse momento vai sair da sessão com um aprendizado a mais sobre história. Além de ter uma ótima experiência cinematográfica.
Tendo essa base, nós vamos conhecendo nossos protagonistas. Aqui, devo dar um destaque ao elenco. Andrew Scott, interpretando o meteorologista James Stagg: você percebe desde o princípio que, como pai de família, ele pode ser amável e sensível, mas, como capitão do Serviço Meteorológico, precisa ter pulso firme e levar o trabalho com seriedade. Ele contrasta com seu colega Irving Krick, interpretado por Chris Messina, um meteorologista americano que, apesar do clima de guerra, tenta conduzir as coisas com “leveza”, sempre se vangloriando de seus diversos feitos.
Sem contar que Kerry Condon e Brendan Fraser também estão excelentes em seus papéis. Inclusive, ver a atriz interpretando a secretária-executiva de um militar de alta patente em plena Segunda Guerra Mundial é, de certa forma, representativo, visto que, nos dias atuais, há um movimento de retrocesso nos direitos das mulheres.
Outra camada que veremos no filme — e que talvez nos deixe impressionados — é o estudo da meteorologia. O americano se baseava no modelo de previsão analógica, comparando as condições atuais com padrões históricos. Já o escocês usava os métodos do serviço de meteorologia do Reino Unido, com mapas desenhados à mão, combinados com dados observacionais e os padrões da alta atmosfera.
Não espere uma aula de meteorologia. Até porque, lembra da “barriguinha” que muitos filmes têm? Acredito que, se o filme investisse tempo para se aprofundar e explicar mais sobre o tema de fundo, acabaria ficando desnecessariamente longo. Para quem assiste, parece que são apenas um monte de números aleatórios. Mas a gente consegue entender que aqueles dados são imprescindíveis para a história.
Lembram que eu comentei sobre ficar vidrado na tela? A obra nos deixa tão imersos que a gente não sente o tempo passar e, por mais que tenha vontade de ir ao banheiro, não encontra uma brecha na narrativa para sair da sala. A sensação é que aqueles cinco minutinhos vão fazer muita falta.
De novo: não que filmes longos sejam ruins. Mas é tão bom ver um filme com um corte final bem ajustado, sem enrolações, sem aqueles momentos em que você se pergunta por que estão ali e sem o “Professor Roteiro”. Se você não sabe o que foi o Dia D, não tem problema. Se você não entende nada de meteorologia, tudo bem. Mesmo assim, você vai ter uma experiência excelente ao assistir a “Pressão”.
Poderia seguir falando de diversos outros pontos positivos, como a fotografia, a ambientação nos anos 1940 e o figurino — vocês me conhecem, eu amo os detalhes. Mas quero instigar a sua curiosidade para assistir e também evitar entrar em spoilers.
É isso, meus queridos! Se você gosta de um filme “baseado em fatos reais”, já garante o teu ingresso. E, como sempre, quero saber sua opinião. Um grande abraço. Thi.
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