Como proteger cães e gatos no fim de ano e evitar riscos à saúde dos pets, pelo Médico-Veterinário Marcelo Müller

Alimentação, fogos de artifício, estresse, segurança e bem-estar exigem atenção redobrada dos tutores durante as festas

 

O fim de ano costuma ser associado a encontros, celebrações e momentos de alegria, mas para cães e gatos esse período pode representar uma sucessão de riscos físicos e emocionais. Mudança de rotina, excesso de visitantes, barulho intenso, fogos de artifício, alimentação inadequada e objetos perigosos espalhados pela casa exigem atenção redobrada dos tutores. Com informação, planejamento e cuidados simples, é possível atravessar essa fase com segurança e bem-estar para toda a família, incluindo os pets.

Mudança de rotina e impacto emocional

Cães e gatos são altamente sensíveis à previsibilidade do ambiente. Alterações bruscas na rotina, como horários diferentes, casa cheia, barulho constante e ausência do tutor por longos períodos, podem gerar ansiedade, estresse e comportamentos indesejados. Manter, sempre que possível, horários regulares de alimentação, passeios e descanso ajuda a preservar o equilíbrio emocional do animal.

Criar um espaço tranquilo dentro da casa, onde o pet possa se refugiar quando quiser, é uma medida simples e muito eficaz. Esse local deve conter caminha, água, brinquedos conhecidos e, de preferência, ficar afastado da área de maior circulação de pessoas.

Alimentação no fim de ano exige atenção redobrada

Grande parte das emergências veterinárias nessa época está relacionada à ingestão de alimentos inadequados. Pratos típicos das festas costumam conter ingredientes tóxicos ou perigosos para cães e gatos, como chocolate, uvas, uvas-passas, cebola, alho, ossos, bebidas alcoólicas e alimentos muito gordurosos ou temperados.

O tutor deve orientar familiares e visitantes a não oferecer comida da mesa ao pet. A alimentação deve permanecer a habitual, e qualquer agrado deve ser feito apenas com petiscos próprios ou alimentos liberados previamente por um Médico-Veterinário.

Fogos de artifício e ruídos intensos

Os fogos representam um dos maiores desafios do fim de ano. A audição dos animais é muito mais sensível que a humana, e o som repentino é interpretado como ameaça. Isso pode levar a tremores, vocalização excessiva, tentativas de fuga, automutilação e até acidentes graves.

Antes dos fogos começarem, o tutor deve fechar portas, janelas e cortinas, reduzir estímulos externos e manter o pet dentro de casa. Sons ambientes, como música calma ou ruído branco, ajudam a mascarar o barulho. Durante os fogos, a presença tranquila do tutor funciona como importante fator de segurança emocional.

Visitas, crianças e excesso de estímulos

Casas cheias exigem atenção especial. Nem todos os pets gostam de contato constante ou de manipulação excessiva. O tutor deve respeitar os limites do animal, orientar visitantes e garantir que o pet tenha a opção de se afastar quando desejar. Para gatos, esconderijos seguros são fundamentais e não devem ser bloqueados.

Objetos decorativos e riscos físicos

Enfeites de Natal, fios elétricos, luzes, bolas, laços e embalagens podem atrair a curiosidade dos pets. Muitos desses itens oferecem risco de ingestão, choque elétrico ou ferimentos. O ideal é manter decorações fora do alcance ou bem fixadas, além de supervisionar o ambiente.

Apoio adicional para pets mais sensíveis

Alguns animais apresentam medo intenso ou histórico de ansiedade. Nesses casos, além do manejo ambiental e do acolhimento, podem existir recursos auxiliares. Há opções como medicações modernas, fórmulas manipuladas, fitoterápicos, essências florais, feromônios sintéticos, suplementos calmantes e formulações veterinárias com canabidiol. Todas essas alternativas devem ser indicadas exclusivamente por um Médico-Veterinário, após avaliação individual, garantindo segurança e eficácia.

Nunca se deve medicar o pet por conta própria, nem utilizar produtos sem orientação profissional.

Identificação e prevenção de fugas

O aumento de barulho e movimentação eleva o risco de fuga. Coleiras com identificação atualizada e microchip registrado são medidas essenciais para aumentar as chances de reencontro caso o animal se perca.

Sinais de alerta que exigem atenção

Tremores persistentes, respiração muito acelerada, salivação excessiva, tentativas repetidas de fuga, vômitos, diarreia ou mudanças bruscas de comportamento indicam que o pet está sofrendo além do esperado. Nesses casos, a orientação veterinária deve ser procurada.

Festas mais seguras também para os pets

Cuidar dos pets no fim de ano não significa deixá-los de fora das celebrações, mas sim incluí-los de forma responsável. Preparar o ambiente, manter a rotina, evitar riscos e respeitar os limites do animal são atitudes que fazem toda a diferença. Com cuidado e atenção, o fim de ano pode ser um período mais tranquilo, seguro e saudável para todos.

Dr. Marcelo Müller é Médico-Veterinário com mestrado em Pesquisa Clínica, especializado em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais, bem-estar animal e atendimento veterinário domiciliar. Atua na promoção de saúde preventiva e integrativa, com foco no diagnóstico precoce, respeito à senciência animal e fortalecimento do vínculo entre pets e tutores.
Autor do livro “Meu Pet… Meu Mundo…”, é uma das vozes mais ativas do país na defesa da medicina veterinária humanizada e da valorização do profissional que cuida da vida em todas as suas formas.

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