O icônico filme “Xica da Silva”, sob a direção de Cacá Diegues e com Zezé Motta no papel principal, ganhou um trailer da sua versão restaurada em 4K, celebrando meio século desde seu lançamento. O relançamento nos cinemas brasileiros está agendado para o dia 16 de julho, através da Sessão Vitrine Petrobras.
A primeira exibição desta nova versão ocorreu no final de junho, durante a CineOP (Mostra de Cinema de Ouro Preto), um evento voltado para a preservação do patrimônio audiovisual.
Originalmente lançado em 1976, “Xica da Silva” atraiu mais de 3,1 milhões de espectadores às salas de cinema. Este filme se tornou o maior êxito comercial na trajetória profissional de Cacá Diegues e foi o primeiro longa-metragem do diretor enviado para representar o Brasil no Oscar.
O processo de restauração visa recuperar tanto a qualidade visual quanto sonora do filme, mantendo a estética da fotografia de José Medeiros e os trabalhos de direção de arte e figurino realizados por Luiz Carlos Ripper.
Zezé Motta deixou sua marca no cinema brasileiro
Com “Xica da Silva”, Zezé Motta se estabeleceu como uma figura central no cinema nacional. A performance da atriz na pele da protagonista rendeu diversos prêmios e transformou Xica em um ícone da cultura brasileira.
Além de Zezé Motta, o elenco conta com nomes como Walmor Chagas, Altair Lima, Elke Maravilha, Stepan Nercessian, Rodolfo Arena, José Wilker, Marcus Vinícius e João Felício dos Santos.
O filme foi pioneiro ao colocar uma mulher negra como protagonista em um contexto onde tal representação era rara na indústria cinematográfica brasileira.
A narrativa é baseada na vida real de Chica da Silva, uma mulher negra escravizada que conquistou sua liberdade e alcançou uma posição influente no Distrito Diamantino no século XVIII.
A grafia correta do nome histórico é com “CH”, mas o filme popularizou a forma “Xica”, com “X”.
Uma obra que mistura humor e crítica social
Inspirado na obra “Memórias do Distrito de Diamantina da Comarca do Serro Frio”, escrita por João Felício dos Santos (1911-1989), o filme entrelaça humor, erotismo, música, espetáculo e uma crítica à história social e política do Brasil.
No enredo, Xica da Silva se torna uma figura central no próspero Distrito Diamantino, onde estão localizadas algumas das minas mais ricas do país. João Fernandes, representante da Coroa Portuguesa, se enamora por ela e a transforma na Rainha do Diamante.
A ascensão de Xica gera descontentamento entre seus opositores. Alertado por eles, o rei português despacha um emissário para tentar limitar sua influência crescente.
Cacá Diegues faleceu no início de 2025 e deixa um legado significativo no cinema brasileiro. Entre suas obras destacam-se “Bye Bye Brasil” (1980), “Quilombo” (1984), “Tieta do Agreste” (1996), “Deus É Brasileiro” (2003) e “O Grande Circo Místico” (2018).
A publicação sobre o relançamento de “Xica da Silva” nos cinemas em 4K para comemorar seus 50 anos foi divulgada pela primeira vez em Agora RS.
