O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a revelar o novo programa Desenrola, conhecido como Desenrola 2.0, que permitirá a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociar dívidas.
Essa informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em São Paulo, durante uma série de encontros com representantes do setor bancário na segunda-feira (27).
“Estamos avançando na possibilidade de utilizar o fundo de garantia”, afirmou Durigan.
Entretanto, o ministro esclareceu que haverá um limite para a utilização do FGTS no âmbito do programa Desenrola.
“A restrição se dará por meio de um percentual do saque. Portanto, será um saque controlado dentro do programa, atrelado ao pagamento das dívidas, mas não necessariamente superior ao valor da obrigação”, detalhou.
Nesta manhã, Durigan se reuniu na capital paulista com banqueiros e com Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos. Também participaram os líderes de instituições como BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e Nubank. À tarde, houve uma nova reunião com representantes do Citibank.
“Estamos finalizando as discussões com os bancos para que possamos apresentar ao presidente ainda esta semana o programa voltado para a renegociação das dívidas das famílias brasileiras. Amanhã estarei retornando a Brasília e conversarei com o presidente para que o anúncio seja feito em breve”, declarou ele aos jornalistas.
Segundo o ministro, o objetivo do novo programa Desenrola é combater a alta taxa de inadimplência no país, mesmo em um cenário econômico marcado por juros elevados, embora haja uma expectativa de redução nas próximas semanas. “O programa visa oferecer reduções significativas nas dívidas que mais afligem as famílias brasileiras atualmente, como as relacionadas a cartões de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial”, explicou.
Ainda segundo Durigan, haverá um aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para viabilizar o Desenrola. “Estão previstas medidas que incluirão recursos no FGO. Isso será suficiente para garantir a renegociação daqueles que desejarem participar”, afirmou.
Embora tenha evitado entrar em detalhes adicionais sobre o novo programa,o ministro expressou otimismo quanto à possibilidade de descontos que podem chegar até 90%.
“O que estamos exigindo dos bancos é uma significativa redução nas taxas de juros em comparação às práticas atuais nos três segmentos [CDC, cartão de crédito e cheque especial], onde os custos são altos. As taxas hoje variam entre 6% e 10% ao mês. Por exemplo, uma dívida de R$ 10 mil pode se transformar em R$ 11 mil no mês seguinte. Para uma família brasileira com renda média, essa situação é insustentável. Portanto, através desse amplo desconto, podemos atingir reduções de até 90%”, avaliou.
No entanto, ele destacou que esse programa não deve ser confundido com um “Refis periódico” e será apenas uma medida temporária.
“Assim como ocorreu no primeiro Desenrola em 2023 e agora neste novo formato, tratam-se de iniciativas pontuais. Não devemos esperar pela repetição desse tipo de ação. Estamos diante de uma situação excepcional; as famílias enfrentam desafios significativos devido a fatores como conflitos internacionais e suas repercussões econômicas. É crucial deixar claro que não se trata de um Refis recorrente”, enfatizou.
No que diz respeito ao número esperado de beneficiados pelo novo programa, Durigan afirmou que a meta do governo é alcançar milhões de pessoas. “Espero que possamos impactar dezenas de milhões em todo o país”, disse resumidamente. O programa anterior Desenrola Brasil beneficiou aproximadamente 15 milhões de brasileiros com negociações totalizando R$ 53,2 bilhões em dívidas.
