Para Edson Braga, continuar aprendendo exige humildade, atenção e disposição para observar aquilo que muitas vezes passa despercebido em meio ao excesso de informação
Em uma época marcada pelo excesso de informação, velocidade e estímulos constantes, talvez uma das capacidades mais raras seja justamente aquela que parece mais simples: parar, observar e continuar disposto a aprender.
Essa é a reflexão apresentada por Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, ao analisar o papel da curiosidade no desenvolvimento pessoal, na liderança e no empreendedorismo.
A reflexão surgiu a partir de uma experiência aparentemente comum.
Primeiro, um quadro.
Depois, uma pergunta.
Em seguida, outras perguntas.
Curiosidade, pesquisa, descoberta e reflexão acabaram conduzindo Edson ao universo das chamadas Joias de Crioula, tema que até então conhecia pouco.
Mais do que a história encontrada a partir daquela imagem, porém, a experiência despertou uma questão maior: quantas coisas extraordinárias atravessamos diariamente sem realmente enxergá-las?
Para Edson Braga, talvez um dos maiores desafios da atualidade não seja conseguir acesso ao conhecimento, mas preservar a capacidade de olhar com atenção suficiente para perceber aquilo que ainda não sabemos.
O excesso de informação pode reduzir nossa capacidade de observar
Nunca houve tanto conhecimento disponível.
Em poucos segundos, é possível pesquisar praticamente qualquer assunto.
Vídeos, livros, podcasts, inteligência artificial, cursos e plataformas digitais oferecem acesso imediato a informações que, em outros períodos, exigiriam anos de busca.
Ao mesmo tempo, segundo Edson José Bandeira Braga Filho, existe um paradoxo.
Quanto mais informação disponível, maior parece ser a dificuldade de parar.
As pessoas correm para produzir.
Responder.
Decidir.
Publicar.
Crescer.
Até o descanso começa a ser planejado como mais uma tarefa da agenda.
Nesse ritmo, praticamente tudo precisa possuir alguma utilidade imediata.
Essa lógica pode reduzir uma capacidade importante: contemplar.
Observar alguma coisa sem saber previamente aquilo que será encontrado.
Conversar com alguém sem procurar imediatamente uma vantagem ou conclusão.
Ler sem buscar apenas o resumo.
Viajar sem transformar cada experiência exclusivamente em conteúdo.
Para Edson Braga, existe uma diferença importante entre estar informado e estar atento.
Quem olha com curiosidade começa a fazer perguntas
A experiência com o quadro ajudou Edson a perceber uma sequência simples.
Quem olha rapidamente pode enxergar apenas uma imagem.
Quem observa com curiosidade começa a formular perguntas.
Quem pergunta encontra histórias.
E essas histórias podem transformar a maneira como uma pessoa enxerga o mundo e até a si mesma.
Segundo Edson José Bandeira Braga Filho, o verdadeiro conhecimento talvez comece menos com respostas e mais com perguntas.
Quem fez isso?
Por que está aqui?
Quem viveu essa história?
O que não estou percebendo?
O que existe além daquilo que meus olhos conseguem identificar imediatamente?
Essas perguntas possuem algo de infantil.
Crianças desejam compreender o motivo das coisas.
O risco aparece quando, ao longo da vida, acumulamos conhecimento, experiência, cargos e reputação e começamos a substituir curiosidade por certeza.
Para Edson Braga, esse pode ser um dos perigos silenciosos da maturidade: acreditar que já vimos o suficiente.
Quanto mais sabemos, maior pode ser o risco de parar de perguntar
Conhecimento é fundamental.
A experiência permite reconhecer padrões, antecipar problemas e tomar decisões melhores.
Entretanto, ela também pode produzir filtros.
Uma pessoa entra em uma reunião acreditando que já sabe aquilo que o outro irá dizer.
Analisa um negócio e rapidamente o associa a experiências anteriores.
Conhece alguém e, em poucos minutos, imagina já compreender completamente aquela pessoa.
Nesse processo, o conhecimento que deveria ampliar a percepção começa a limitá-la.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, uma das demonstrações mais sofisticadas de inteligência pode estar em conseguir entrar em determinadas situações mantendo uma ideia simples:
“Talvez exista aqui alguma coisa que eu ainda não sei.”
Essa postura não elimina a experiência.
Apenas impede que ela se transforme em arrogância intelectual.
Curiosidade também é uma competência empresarial
No empreendedorismo, algumas características são constantemente valorizadas.
Coragem.
Disciplina.
Resiliência.
Visão.
Capacidade de execução.
Para Edson Braga, existe outra competência igualmente importante: a curiosidade.
Empreendedores curiosos formulam perguntas diferentes.
Por que determinado processo sempre foi feito dessa maneira?
O cliente realmente precisa passar por todas essas etapas?
O que empresas de outros setores já descobriram que poderia ser aplicado aqui?
O que uma cultura diferente pode ensinar?
O comportamento dos consumidores mudou antes de essa mudança aparecer nos números?
O que os colaboradores que estão próximos dos problemas enxergam que a liderança ainda não percebeu?
Segundo Edson José Bandeira Braga Filho, muitas oportunidades podem surgir justamente de perguntas que ninguém considerou importantes o suficiente para fazer.
Inovação nem sempre começa com uma ideia revolucionária.
Pode surgir de um pequeno incômodo observado com atenção durante tempo suficiente.
Aprender com aquilo que aparentemente não possui utilidade
Edson Braga também destaca o valor de conhecer áreas aparentemente distantes da atividade profissional de uma pessoa.
Arte.
História.
Filosofia.
Religião.
Natureza.
Arquitetura.
Biografias.
Culturas diferentes.
Conversas com outras gerações.
Em um ambiente orientado por produtividade, existe a tendência de perguntar rapidamente qual utilidade determinada informação terá.
Mas nem todo conhecimento revela imediatamente sua aplicação.
Uma imagem observada hoje pode encontrar significado anos depois.
Uma conversa aparentemente casual pode gerar uma ideia futura.
Um conceito aprendido em outra área pode ajudar a solucionar um problema empresarial completamente diferente.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, criatividade também pode ser compreendida como a capacidade de construir pontes entre assuntos que inicialmente parecem não possuir relação.
Uma mente interessada somente em resultados imediatos pode se tornar extremamente eficiente.
Mas corre o risco de perder parte de sua capacidade criativa.
Informação e sabedoria são coisas diferentes
Nunca foi tão fácil acumular informação.
Isso, porém, não significa automaticamente desenvolver sabedoria.
Para Edson Braga, informação acumula.
Sabedoria relaciona.
Informação oferece respostas.
Sabedoria também ensina a formular perguntas.
Informação pode ser encontrada em segundos.
Sabedoria exige maturação.
Uma pessoa pode consumir dezenas de livros, vídeos, podcasts e artigos e continuar interpretando o mundo exatamente da mesma maneira.
Isso acontece porque aprender não significa apenas acrescentar informações.
Aprender também envolve permitir que algo novo modifique aquilo que já acreditávamos saber.
Segundo Edson José Bandeira Braga Filho, talvez não esteja faltando conteúdo.
Pode estar faltando silêncio suficiente para que o conteúdo encontre profundidade.
Dizer “não sei” também exige inteligência
Existe uma expressão pequena que Edson Braga considera importante:
“Não sei.”
Ela pode parecer simples.
Mas se torna cada vez mais difícil de pronunciar conforme uma pessoa passa a ocupar posições nas quais os outros esperam respostas.
Um empresário acredita que precisa saber.
Um líder sente que deveria saber.
Um pai pode acreditar que precisa possuir todas as respostas.
Um professor também.
Esse comportamento cria o risco de responder antes mesmo de compreender completamente a pergunta.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, liderança não precisa significar ter todas as respostas.
Pode significar criar ambientes em que boas perguntas sejam possíveis.
Quando o líder sente necessidade constante de demonstrar conhecimento, as pessoas ao redor podem começar a evitar apontar aquilo que ele desconhece.
E essa ausência de informação pode representar um risco significativo para qualquer organização.
A vida nem sempre ensina fazendo barulho
Ao retornar à experiência que iniciou sua reflexão, Edson lembra que o quadro não exigia atenção.
Estava simplesmente presente.
Poderia ter passado despercebido.
Mas uma pausa foi suficiente para iniciar uma sequência de descobertas.
Isso levou Edson Braga a considerar quantos aprendizados importantes podem estar acontecendo da mesma maneira.
Uma conversa comum.
Uma pergunta de um filho.
Uma observação de um funcionário.
Uma mudança discreta no comportamento de um cliente.
Uma obra de arte.
Uma árvore.
Uma cidade.
Um silêncio.
A vida talvez esteja oferecendo informações constantemente.
O problema é que o ruído interno pode ser maior do que aquilo que ela está tentando ensinar.
Continuar aprendiz pode ser uma forma de permanecer jovem
Para Edson José Bandeira Braga Filho, existe uma espécie de juventude que não está relacionada à idade.
É a juventude produzida pela curiosidade.
Enquanto uma pessoa ainda consegue se surpreender, existe algo vivo dentro dela.
Enquanto pergunta, aprende.
Enquanto aprende, muda.
E enquanto permanece capaz de mudar, sua história continua aberta.
Por isso, Edson considera que uma das formas mais raras de inteligência não está simplesmente em saber muito.
Está na humildade de continuar aprendendo mesmo depois que outras pessoas começam a acreditar que alguém já possui todas as respostas.
A experiência iniciada diante de um quadro levou a uma história até então desconhecida.
Mas o aprendizado maior talvez tenha sido outro.
Não perder a capacidade de parar diante daquilo que ainda não conhecemos.
Olhar.
Perguntar.
Escutar.
Pesquisar.
Duvidar.
Aprender.
Para Edson Braga, algumas das maiores riquezas podem estar justamente nos lugares que quase ninguém mais possui paciência para observar.
E determinadas transformações talvez não comecem com grandes respostas.
Começam quando alguém ainda preserva curiosidade suficiente para fazer uma boa pergunta.
