Nesta sexta-feira (17), em São Paulo, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o governo brasileiro está considerando adotar medidas de reciprocidade em resposta à nova taxação que os Estados Unidos impuseram ao Brasil na quinta-feira (16).
“Não é apropriado falarmos em retaliação, essa palavra não faz parte do nosso vocabulário. O que estamos focando: o Congresso Nacional aprovou uma lei por unanimidade que protege os interesses do Brasil, oferecendo um procedimento específico para situações de ataques injustificados ou unilaterais de outros países. Estamos sendo bastante cautelosos nesse aspecto, e isso não se refere apenas aos Estados Unidos, mas sim à nossa economia”, afirmou.
Durigan enfatizou que sua principal missão é assegurar a estabilidade econômica e manter um crescimento saudável. “Estamos avaliando com cuidado, em conjunto com os empresários, o processo de reciprocidade que o Congresso nos disponibilizou para apresentarmos ao presidente. Essa avaliação não está sendo feita de forma precipitada; portanto, não cabe falar em retaliação. A reciprocidade está sendo analisada para ser aplicada no momento e na medida adequados”, explicou.
O ministro considerou a taxação de 25% imposta pelo governo americano como injusta e garantiu que o Brasil continuará a negociar. “Na maior parte das vezes, como [o governo dos EUA] não possui argumentos contrários, parece evidente para nós que economicamente temos razão. Portanto, não podemos nos submeter. Devemos prosseguir com um debate robusto e firme. Sob a lógica do governo dos Estados Unidos, essa tarifa para o Brasil é irracional”, disse ele.
Durante a coletiva, Durigan também lembrou que o Brasil enfrenta um déficit na balança comercial com os Estados Unidos. “Atualmente, as famílias e as empresas brasileiras estão pagando aos Estados Unidos, o que resulta em um déficit comercial para nós e em superávit para eles”, ressaltou.
Em contrapartida, ele mencionou que o Brasil conseguiu estabilizar sua economia, “o que nos possibilita proteger nossa população, como demonstramos no caso dos combustíveis”.
Punição
A respeito das novas tarifas impostas, o ministro criticou o governo de Donald Trump por ter ignorado qualquer tipo de discussão setorial e por ter aplicado “uma punição generalizada ao Brasil”.
“Criaram-se argumentos infundados sobre práticas comerciais inadequadas para justificar a tarifa contra o Brasil. Esses argumentos são falsos. Possivelmente ainda estejam se referindo ao governo anterior quando mencionam desmatamento e outros temas. Isso é totalmente inverídico”, destacou Durigan.
Ele reafirmou que continuará as negociações com representantes dos Estados Unidos nos próximos meses.
“Não vamos desistir desse esforço. Assim que surgir a oportunidade, levarei nossa insatisfação e nossos argumentos com respeito para demonstrar o quanto essa situação é prejudicial às relações bilaterais”, concluiu.
Pix
Dario Durigan também assegurou que a plataforma Pix não está sob negociação. O governo americano considera essa ferramenta uma ameaça às relações comerciais entre os dois países.
“O Pix é um ponto de conflito inaceitável. Trata-se de uma infraestrutura brasileira e não uma concorrência no mercado. É uma infraestrutura pública acessível. Ele facilitou transações — tanto em cartão quanto à vista — dentro do Brasil. Os Estados Unidos rotulam o Pix como uma prática desleal, algo completamente absurdo. Não faz sentido discutir o Pix em mesas de negociação; ele permanecerá como um serviço público disponível aos brasileiros”, declarou.
Argumento político
D segundo Durigan, “é claro” que existe uma motivação política por trás da taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil.
“Enquanto conseguimos vencer nas argumentações técnicas e econômicas sobre comércio, restará apenas a questão política. O mais lamentável é que se trata de um argumento eleitoral; há pessoas no Brasil que apoiam esse tipo de medida contra nosso país visando benefícios eleitorais, prejudicando os interesses nacionais. Isso afeta empresas, trabalhadores e aqueles que investiram e agora enfrentam dificuldades para exportar para os Estados Unidos devido a caprichos eleitorais”, finalizou.
